Indo para o Brejo

Amigos, acabo de traduzir um artigo publicado no dia 9 de Março de 2015, pela revista the economist. O artigo analiza o efeito do discurso da presidente ontem, no dia Internacional da mulher. Vale enfatizar que a tradução não é literal, ela tem minha interpretação pessoal. Assim as opiniões abaixo não são da responsabilidade ou refletem a opinião da revista a ver:

“Indo pro brejo

Um caso de corrupção se alastrando e ameaçando as reformas econômicas necessárias

No dia 08 março, Dilma Rousseff, presidente do Brasil, usou a mensagem em rede nacional pelo dia internacional da mulher, para justificar a necessidade de apertar o cinto na economia. Segundo ela, Isso é necessário para fechar um déficit orçamentário de 6,75%, evitar um rebaixamento doloroso da agências de ratings e reativar uma economia debilitada. Em um eco da campanha eleitoral do ano passado, a presidente culpou a crise financeira global pelos problemas econômicos do país, e também a seca recorde de 2014. A presidente explicou que, o governo fez o possível para resistir a estes eventos adversos. “Agora temos que dividir parte deste esforço entre todos os setores da sociedade.” ela afirmou.

Como na eleição, Dilma esqueceu de mencionar, que a maioria dos países emergentes, e muitos vizinhos latino-americanos, se saíram da crise, melhor que o Brasil. Ao que tudo indica, muitos brasileiros não escutaram naquela época . Assim que a presidente apareceu no ar, ouviu-se o barulho de panelaços em várias grandes cidades brasileiras. Numa demonstração sem precedentes, de desafeto contra seu governo, milhares de brasileiros saíram janelas e varandas de suas casas e apartamentos com utensílios de cozinha na mão. Em seu apartamento em São Paulo, o correspondente da presidente mal conseguia distinguir o que o presidente estava dizendo em função do barulho, que se estendeu durante os 15 minutos de discurso pré-gravado. Mais preocupante para Dilma do que os panelaços, é a bomba-relógio que eclodiu no início do fim de semana. Em 6 de março Teori Zavascki, presidente do Supremo Tribunal Federal, divulgou, a pedido do procurador geral da República Rodrigo Janot, a lista de políticos, envolvidos com o esquema de corrupção descoberto há um ano na Petrobras. O Senhor Zavascki aprovou a maioria dos dos nomes da lista pedidos pelo Sr. Janot. Vale lembrar que a Suprema Corte deve concordar com qualquer investigação em função da imunidade parlamentar, da maioria dos envolvidos. Esta decisão, libera as mãos de promotores e da polícia federal para investigar o envolvimento dos membros congresso e do senado.

Vai ser a maior investigação do gênero na história brasileira. Senhor Zavascki abriu 23 inquéritos acusando 49 indivíduos, entre os quais 22 deputados federais e 12 senadores. A título de comparação, o mensalão, um esquema que operava a partir de 2003, até vir à tona em 2005, e em que o partido dos Trabalhadores (PT) da Presidente Rousseff pagava propinas de forma regular, para aliados no Congresso em troca de seus votos, começou com uma única investigação. Na época, esse escândalo prejudicou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, antecessor de Dilma Rousseff, e colocou alguns dos expoentes do PT atrás das grades.

O petrolão pode ser ainda mais prejudicial. Embora Rousseff não está sendo investigado, apenas dois dos 49 suspeitos não fazem parte da coalizão governista, liderada pelo PT. Documentos judiciais do Sr. Janot descrevem uma “organização criminosa complexa”, onde empreiteiras que ganharam contratos com a Petrobras, repassavam cerca de 3% dos valores dos contratos, para o caixa dois dos políticos. Alguns conseguiram subornos pontuais; outros aparentemente recebiam pagamentos mensais de 30,000-500,000 reais ($ 10,000-160,000), dependendo de sua influência.
A “lista Janot” inclui grandes nomes como: Humberto Costa, chefe do Senado do PT; Gleisi Hoffman, outra senadora do PT que foi chefe de gabinete de Dilma em 2011-14; o tesoureiro do partido, João Vaccari. Antonio Palocci, que brevemente precedida a senhora Hoffman como chefe de gabinete até renunciar em função de um escândalo ocorrido em 2011 (e já havia servido como ministro das Finanças de Lula). Ele será investigado por um tribunal inferior. Palocci é suspeito de aceitar doações de campanha de origens duvidosas durante a eleição de 2010, quando ele coordenava a campanha de Dilma Rousseff. A oposição de centro-direita também não saiu ilesa. Antonio Anastasia, um senador tucano e braço direito do senador Aécio Neves, candidato derrotado do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), também está na mira do Sr. Janot. Todos são suspeitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Claro que todos negam qualquer irregularidades.

Como era esperado, o Sr. Janot também tem como alvo Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, poderosos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Ambos são membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), principal parceiro da coligação do PT. Além de desmentir imediatamente as suspeitas do Ministério Público, a dupla partiu para o ataque. Sr. Cunha twittou que os documentos judiciais eram “uma piada” e acusou o Sr. Janot de pintar a todos com o mesmo pincel. Com isso, Eduardo Cunha se refere, à tentativa de Janot de, desviar as atenções do envolvimento do PT no escândalo, em um esforço para ganhar um crédito com Dilma Rousseff, para ser nomeado para um segundo mandato, já que seu primeiro mandato expira em setembro. Calheiros até sugeriu que o Congresso deveria criar seu próprio inquérito sobre o escritório do promotor público.
Isto é fantasiosa. O Ministério Público é constitucionalmente independente do poder executivo, e ao que tudo indica, o Sr. Janot exerceu essa independência ferozmente. Ele já tocou em políticos do círculo íntimo de Dilma. E, além disso a indicação de Dilma Rousseff, ele precisaria da aprovação do Congresso para permanecer em seu posto. Se isso fosse sua principal preocupação, ele poderia ter sido menos duro com a liderança do Congresso.

Os Srs Cunha e Calheiros sabem disso. Sua birra provavelmente tinha mais a ver com o aumento da animosidade contra Dilma, tanto por sua base aliada e os brasileiros descontentes em geral. Mesmo antes do panelaço, o índice de aprovação da presidente tinha caído para metade desde o início do seu segundo mandato, em janeiro; é que o PMDB não quer afundar com ela. Ele também se queixa das nomeações ministeriais (seus líderes pensavam que iriam ter mais pastas). O PMDB agora sente-se marginalizado no processo de tomada de decisão presidencial. Não foi, por exemplo, consultado sobre a maior parte dos cortes de gastos e aumentos de impostos sendo empurrado pela águia do novo ministro das Finanças de Rousseff para colocar a casa fiscal em ordem. Sob o fogo do Sr. Janot, o PMDB vai exigir mais espaço. Fala-se de uma nova proposta de criação de um novo ministério responsável pela ligação com o Congresso. Dilma pode também trazer Michel Temer, chefe nacional do partido e vice-presidente de Rousseff, para integrar o “petit comitê”, composto inteiramente por confidentes do PT, e que determinam a política do governo.

Se bem sucedida, esta tática pode esfriar os nervos do Congresso no curto prazo. No entanto, dada a complexidade do esquema de corrupção e o número de pessoas sob investigação, pode levar anos antes que alguém é acusado formalmente, muito menos condenados. Enquanto a polícia cavar mais fundo no assunto, mais nomes de políticos tendem a vir à tona. Sonda do Sr. Janot está de olho em divisões da Petrobras, onde o PT e PMDB são suspeitos de realizar até mesmo maior oscilação. Nada disso é um bom presságio para as reformas econômicas. Congressistas tentam limpar seus nomes vão ser cauteloso em irritando mais eleitores apoiando medidas econômicas impopulares (eles já são o foco da ira dos paneleiros sobre alegada corrupção).

As reformas, no entanto, estão se tornando mais urgente a cada dia. O Real caiu 5% em relação ao dólar na semana passada em meio à incerteza política em torno da “lista Janot”. A inflação atingiu 7,7% em fevereiro, a maior em uma década (empurrado para cima, em parte, pelo aumento muito atrasados em preços administrados para o combustível e eletricidade). O banco central elevou as taxas de juros na semana passada; em 12,75% são agora de volta para onde eles eram apenas após Rousseff tomou posse em 2011, e acima de 7,25% em 2012-13. O desemprego esta aumentando, embora a partir de uma baixa recorde de menos de 5%. Dilma Rousseff tinha melhor se acostumar com o som das talheres.”

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