O Mérito e a Meritocracia na política

Ultimamente, temos acompanhando pela mídia o debate eleitoral acirrados acerca de diferentes propostas e planos de governo. O eleitor encontra-se numa encruzilhada de saídas difíceis, para definir seu voto. Um eleitor politizado, pode usar uma série de critérios, para determinar quem entre os candidatos melhor reflete seus valores, que em sua maioria são sociais, e portanto, evocam uma única palavra: “ Meritocracia.”

É claro que não se trata apenas de uma palavra, mas sim de um conceito que tem ganhado a cor e a dimensão ideológica dos debatedores na sociedade brasileira. Debates sobre projetos governamentais como: cotas para minorias, contratação de novos servidores e programas de assistencialismo têm gerado polêmica onde críticos utilizam o conceito da “Meritocracia” para derrubar os argumentos da situação, enquanto esta critica o próprio conceito por não servir como parâmetro num país de tamanhas desigualdades como o Brasil.

Mas afinal, qual é o significado da palavra meritocracia?

A etimologia da palavra mérito vem do latim “mereo” que quer dizer: merecer, obter. Já o sufixo “cracia” indica um sistema de governo. A palavra meritocracia significa então: um governo baseado na habilidade (mérito) em vez de riqueza ou posição social. Neste contexto, “mérito” significa basicamente inteligência mais esforço.

Com base nisso, a literatura define a meritocracia como a forma de governo baseado no mérito onde as posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento, e há uma predominância de valores associados à educação e à competência.

Ok, mas como e de onde surgiu?

Vários autores convergem na opinião sobre os primeiros indícios. Eles indicam a existência de um mecanismo semelhante que remonta à antiguidade, precisamente, na China de Confúcio e Han Fei, os dois pensadores que propuseram um sistema próximo ao meritocrático. Outras evidências históricas apontam conquistadores e estadistas como Gengis Khan e Napoleão Bonaparte. Os dois marcaram tanto seus exércitos quanto a vida política de seus estados com elementos da meritocracia.

Na era moderna, a palavra “meritocracia” apareceu pela primeira vez no livro “Rise of the Meritocracy”, de Michael Young (1958). Neste livro o autor carregava esta palavra com um conteúdo negativo. A história de Young tratava de uma sociedade futura na qual a posição social de uma pessoa era determinada pelo QI e esforço. Young utilizou ainda a palavra mérito num sentido pejorativo, diferente do comum ou daquele usado pelos que defendem a meritocracia, onde o mérito significa habilidade, inteligência e esforço. Pessoalmente, defendo esta visão.

Para o sistema político brasileiro, faz-se necessário acrescentar uma característica às descritas pelo Young; trata-se da ética que anda meio ausente dos ábacos da política ultimamente.

Cabe a cada eleitor refletir antes do votar no dia 5 de outubro, se seu candidato/a tem o mérito para exercer um mandato público, ou seja, Ele/a é honesto/a, hábil, inteligente e disposto/a a navegar pelas turbulências do sistema político sem vender a alma para a corrupção. Se o candidato passar por este teste, o eleitor estará prestando um grande serviço, à democracia, e ao país.

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