O Analfabetismo Pós Moderno

Vivemos numa era de desenvolvimento tecnológico sem precedentes, onde o acesso à informação, permitiu aos cidadãos ordinários de todos os continentes, ter acesso à rede, saindo assim do anonimato, para as páginas virtuais do espaço cibernético.

Trata-se de um avanço digno de comemoração, uma vez que este processo, permitiu a inclusão de bilhões de pessoas às nuvens do ciberespaço. Thomas Friedman, em seu livro o mundo é plano, refletiu sobre as consequências desta inclusão, que segundo ele, deu voz e vez aos indivíduos, e permitiu um intercâmbio intenso de ideias e de informações. A globalização em seu terceiro estágio como colocou Friedman, permitiu à base da pirâmide social acessar um acervo de informações, considerado no passado não muito distante, um privilégio de poucos como por exemplo, órgãos governamentais e grandes corporações. Não obstante, pela primeira vez na história, um evento qualquer pode ser transmitido de forma instantâneas para uma audiência de escala global. Na era da web 3.0, como bem observa Don Tapscot, em seu livro, a Hora da Geração Digital, jovens do mundo todo, ao se integrarem à rede, acabam formando um ecossistema social novo, com linguagem própria, e um estilo de vida comum, apesar das diferenças culturais e geográficas. Trata-se da revolução chamada por ele de “a internet de coisas”.

Como em toda revolução, esta também gerou efeitos curiosos, que continuam sendo objeto de pesquisa de diversas áreas da ciência. Por isso, é prematuro tirar conclusões sobre as tendências enquanto não houver evidências científicas suficientes. Até lá, é prudente refletir um pouco sobre este novo fenômeno.

A internet de coisas, é um emaranhado de informações armazenadas na nuvem digital, que se bem utilizadas, podem ajudar o indivíduo a se auto-instruir, gerar e compartilhar conhecimentos, através de uma miríade de recursos digitais como jornais, vídeos, livros, artigos de revistas científicas, cursos à distância, tutoriais, museus digitais, enciclopédias, blogs etc…

Para potencializar os benefícios deste tsunami de informações, o modelo de educação atual, precisa de uma reforma radical, para desenvolver novos mecanismos de ensino e aprendizagem, que permitem ao indivíduo extrair da nuvem, as informações que precisa para gerar conhecimentos, e descartar o lixo e os excessos.

O modelo de educação que insistimos em continuar utilizando, teve seu desenho há pelo menos cinco séculos, baseado em um contexto social, econômico e tecnológico que não existem mais. Por isso, já passou a hora de pensar seriamente em substituí-lo. Caso contrário, continuaremos a conviver com o produto do sistema anterior: um sujeito letrado, mas digitalmente analfabeto.

O analfabetismo digital, é a forma mais moderna de analfabetismo, onde o indivíduo, mesmo formalmente alfabetizado, continua sem os conhecimentos necessários, para processar o conteúdo do bombardeio diário de informações. Para isso, é preciso ir além dos métodos tradicionais de ensino e aprendizagem para preparar os indivíduos para esta nova realidade.

O analfabetismo moderno, está produzindo uma sociedade paralela, onde mentiras e falácias são repetidas milhões de vezes por segundo, em uma escala global. Assim, mentiras viram verdades, e o conhecimento se converte em ignorância, dando espaço à um sofisma reducionista, que discrimina o diferente, ridiculariza o certo, reverencia o errado e consome a cadeia de valores construída pela experiência humana em milhares de anos.

Consequência disto, que não é raro hoje em dia, assistirmos perplexos ao surgimento de radicalismos injustificáveis, embalados em nome da religião ou da liberdade, que em questão de clicks, encontram ressonância na rede, engendrando seguidores, que na sua maioria, são analfabetos digitais. Este comportamento, caracterizado por pela falta de tolerância com relação às diferenças, ameaça devastar, o pouco de civilidade que nos restou, e destruir de vez, o processo civilizatório, ao negar à natureza humana, sua condição mais básica: a liberdade do ser.

O analfabetismo moderno, precisa ser erradicado antes que ele eroda as bases da sociedade livre e consequentemente a civilização atual.

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