Do feudalismo à escravidão da pós -modernidade

Vivemos na era pós-moderna com os direitos de cidadãos assegurados pelo estado democrático, pelo menos em grande parte do mundo ocidental. E com as facilidades tecnológicas, o mundo está cada vez menor e, segundo Thomas Fridman, interagindo num em um ambiente virtualmente plano.

Os profetas da evolução pregam seus sermões pela internet, tv digital entre outros veículos, levando suas doutrinas até os mais longínquos cantos da terra. O processo de produção na indústria passou a ser eficiente e praticamente automático, com os robôs substituindo os homens com maior eficiência, imunes à opção da greve e trabalhando 24 por 7 sem sequer necessitar de vale refeição. A tecnologia está por toda parte,  e a inquietação bate firme hoje no cidadão desprovido de celular, computador ou de outras ferramentas de informação. É difícil imaginar que em menos de 20 anos vivemos a neurose da comunicação, quando a distância entre a primeira revolução industrial  e o início do processo de automação industrial é superior a 100 anos.

Bem, à primeira vista estamos vivendo de fato num admirável mundo novo, como diria o escritor inglês Aldous Huxley. Atendemos a todos os estereótipos de uma sociedade manipulada, cujo indivíduo é uma espécie de “robô” condicionado a determinado tipo  de comportamento e programado para cumprir certas tarefas. Para Huxley, o que sair desses padrões é selvagem ou agressor que inveja os valores e o jeito de viver de uma sociedade perfeita, com pouco espaço para  o humanismo. Em seu livro, Aldous Huxley retrata uma civilização que liga a felicidade de alguns à infelicidade e a ignorância de outros. Alguma coincidência entre o romance de 1931 e os dias de hoje? 

A situação do Homem melhorou ao longo da transposição da produtividade essencialmente agrícola para o mundo da alta tecnologia? Você pode achar que houve transformações substanciais, mas eu, mesmo sujeito de ser acusado de radical, vejo retrocesso na condição humana.  

Na era agrícola, o homem vivia econômico e socialmente refém do seu senhor feudal, a quem creditava 50% das riquezas que produzia. O direito era canônico e reinava a lei da floresta. A lei existia para beneficiar os mais fortes; a política era de um peso e duas medidas para atender sempre aos interesses dos senhores do poder, sejam eles eclesiásticos,  monárquicos ou feudais.  

E hoje? O que mudou neste aspecto? Você pode dizer: mudou muito: hoje escolhemos o nosso representante, temos liberdade e direitos assegurados  por uma constituição democrática, temos mais tecnologia, mais saúde, mais informação e o mundo se tornou uma aldeia. É mesmo? Mas está a justiça social nesta aldeia? Você conhece o Iraque? Conhece a África? Já andou por Bolívia, Nicarágua, Paraguai, pelas favelas do nosso país? De quem é o benefício disso tudo? Quais as vantagens do avanço tecnológico se as repercussões não refletem um estado de bem-estar, ainda permitindo que mais de dois terços da população do mundo viva em miséria quase que absoluta? Não estaria o mundo pós-moderno mais vulnerável e em situação tão deplorável quanto a escravidão da idade média, em que o controle dos senhores feudais era tão pernicioso quanto o poder de uma minoria que controla a circulação de 5 trilhões de dólares apenas nos Estados Unidos e Japão, fora os euros dos países da Europa ocidental?

Os impostos que corroem as pequenas e médias economias em mais de 50%, não abrem perspectivas para a conquista de igualdades sociais, como enseja a própria tecnologia. Vivemos numa doutrina econômica que prejudica a todos, sobretudo os indefesos. O capitalismo atual precisa urgentemente apresentar perspectivas reais para a construção de uma sociedade justa e mais humana.

Você pode achar que estou exagerando. Mas tão pouco alimento pessimismo, pois acredito muito que o homem pós-moderno lute e tente reconstruir a sociedade do terceiro milênio com bases mais justas do que aquela imposta pela ganância desenfreada sem o mínimos cuidado com o ser humano. Continuo acreditando no capitalismo ético e socialmente responsável, como melhor sistema econômico para alavancar o progresso, o defeito não está no sistema, mas sim em seus advogados e representantes.

 

Qual a diferença  entre o hoje e a idade média, na sua opinião? Escreva?

 

 

 

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